sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A morte. Analise empírica

Uma das primeiras coisas que me disseram quando souberam que na verdade eu estava vivo, foi que eu tinha feito uma brincadeira de muito mau gosto.
Brincadeira, como se eu tivesse me divertindo muito ao enganar todos que eu conheço. É natural. A primeira coisa que você pensa quando alguém te engana é que essa outra pessoa se divertiu a suas custas, você foi subjugado. Seria de fato como perder em um jogo.
Ou talvez por que a pessoa pela qual você estava sentindo a perda, te diz com a voz mais saudável que esta vivo, a raiva deve ser o primeiro estagio de uma escala decrescente.
Mas por que a morte tem tanto peso para agente? É fácil compreender a dor que é perder alguém que fez parte da sua vida, que realmente foi importante para você, porém existem momentos, e pessoas, que choram a morte de desconhecidos.
Não há como negar, a morte geralmente é rodeada pela tristeza. Um ser que tinha um lugar, uma existência, e que no segundo seguinte para de existir, deixa um vazio nos lugares onde antes, como um tijolo em uma parede, exercia sua função. Alguém que talvez, tivesse sonhos, planos, obrigações, que era de suma ou meia importância pra que a vida de outros seguisse bem.
Deveríamos sim ficar tristes, sentir saudade, sentir raiva, chorar, mas não pela morte, e sim e unicamente pelo que perdemos, mas isso deveria passar, mas nos afeta muito de um jeito nada benéfico e de fato não faz diferença a quem se foi. Do que sabemos da morte, fora o que cremos, é que após ela não conhecemos nada.
Temos então uma relação extremamente egoísta com a morte, a tememos de fato, porém a raiz mais forte dessa questão é pura e simplesmente a perda. O medo da perda nos rodeia em diferentes assuntos durante a vida, e ganha força concreta na morte, pois somos impotentes diante dela.
Tememos morrer: perder a vida, aqueles que amamos ou perder a chance de tomar um sorvete, perder o direito de ver o sol, etc. O que tememos realmente na morte é somente a perda, fora o medo do desconhecido. Assim como não queremos que nos tirem tudo que gostamos e amamos, também não queremos ser tirados disso tudo.
Não há nada de errado nesse nosso posicionamento egoísta, a não ser que queiramos ignorá-lo como tal, e ao em vez de aprendermos a controlar esses sentimentos, nos rendemos a eles, e duplicamos o peso que eles já têm.
Às vezes o fato da morte, anula toda uma vida, e entre saudades e angustias, nos focamos no fato de não ter, quando deveríamos apreciar o que tivemos.
Meu objetivo era que a partir da morte as pessoas olharem ao menos um breve momento para a vida com o valor que ela pode ter.

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